Trope-se × InstitutoZ · 2025/2026

Script
do
Amor

Como a Geração Z está reinventando o compromisso — sem casar, mas sem fugir do amor.
Cruzamento inédito entre duas pesquisas: Script do Amor (n=1.054) e GenZ Faz 30 (n=6.940).

Base total
7.994 respondentes
Faixa etária
17 a 31 anos
Recorte
GenZ brasileira
Ano
2025 · 2026
01 — Retrato geral

A geração
mais solteira
da história

Nas duas pesquisas, o dado que mais impressiona não é comportamental — é civil. 84% da base do GenZ Faz 30 é solteira. Apenas 5% é casada. E 91% não tem filhos. Isso não é acidente: é uma reconfiguração profunda da linha do tempo da vida adulta.

Solteiros · GenZ Faz 30
84%
n=6.940 • base ampla de toda a faixa GenZ
Sem filhos · GenZ Faz 30
91%
Mesmo entre 26–31 anos, 86% ainda não tem filhos
Casados · GenZ Faz 30
5%
Menor taxa entre todas as gerações vivas
Sentem que vida adulta mudou muito
76%
Percepção de ruptura geracional · GenZ Faz 30

"A sociedade é mais líquida. Não é mais uma exigência das famílias que a pessoa seja casada no civil. A pessoa tem mais liberdade para decidir se quer casar, se quer uma união estável."

Klívia Brayner, gerente do Registro Civil · IBGE, 2023
02 — Curva por faixa etária

O sonho
que cresce
com a idade

Casamento, família e filhos ainda são desejados — mas o gap entre desejo e realidade aumenta exatamente na faixa em que esses marcos deveriam estar acontecendo. A GenZ quer, mas os bloqueios — financeiros, emocionais, estruturais — empurram tudo para frente.

17–21
Exploradores
n = 1.963
22–25
Em trânsito
n = 2.224
26–31
Chegando lá
n = 2.753
Solteiros
Estado civil
94%
quase todos solteiros
86%
ainda solteiros
77%
maioria ainda solteira
Casados
Estado civil
1%
quase ninguém
4%
ainda muito pouco
8%
crescimento tímido
União estável
Compromisso sem papel
5%
início tímido
10%
dobra na virada dos 20
13%
preferida ao casamento
Mora com parceiro/a
incl. solteiros
6%
ainda em casa dos pais
19%
salta aos 22–25 anos
32%
1 em cada 3 mora junto
Sem filhos
Maternidade/paternidade
97%
quase universal
92%
ainda sem filhos
86%
mesmo após os 26
Quer família, não tem
Gap de expectativa
23%
sonho precoce
25%
pico do desejo
21%
persiste, mas adapta
Progressão
17
22
26
31 →
Leitura dos dados
O tempo da vida adulta
foi reprogramado

A curva mostra uma transição que as gerações anteriores faziam na faixa dos 20–24 anos. A GenZ empurrou esses marcos para os 26–31 — e mesmo assim de forma incompleta: 77% dos que têm entre 26 e 31 anos ainda são solteiros, e 86% ainda não têm filhos. Não é rejeição ao compromisso. É uma nova temporalidade, marcada por instabilidade financeira, alta exigência emocional e valorização da autonomia — três forças que atuam simultaneamente sobre a mesma geração.

03 — Casamento e expectativas

Casar?
Sim.
Mas não assim

A GenZ não abandonou o casamento. Ela o está questionando como obrigação social e reinventando como escolha consciente. O dado mais poderoso: quem mais quer se casar são exatamente os que nunca tiveram a oportunidade.

O que perdeu importância
Ter filhos 25%
Ser casado 20%
Construir uma família 15%
Ter um relacionamento amoroso 11%
% do total que marcou o item como "perdeu importância" · GenZ Faz 30 (n=6.940)
O que desejam mas não têm
Construir uma família 23%
Ser casado 19%
Ter um relacionamento saudável 19%
Ter filhos 16%
Ter um relacionamento amoroso 15%
% que deseja mas ainda não conquistou · GenZ Faz 30 (n=6.940)
Casamento: o sonho por faixa de idade
17–21 anos
19%
quer se casar mas ainda não
22–25 anos
22%
pico do desejo de casar
26–31 anos
18%
desejo persiste, expectativa se ajusta
40%
dos solteiros

Declaram que ainda não atingiram o sucesso em relacionamentos. O maior índice de insatisfação entre todos os subgrupos. Querem — mas não estão conseguindo.

"O que mais mudou não foi o desejo de amar — foi a capacidade de confiar que esse amor vai durar, e de saber qual forma ele deve ter."

Leitura transversal · Script do Amor + GenZ Faz 30 · Trope-se/InstitutoZ, 2025/26
04 — Compromisso reinventado

Juntos.
Mas sem papel

A GenZ não está fugindo do compromisso. Ela está recusando o formato burocrático do compromisso. União estável, moradia compartilhada sem registro civil, namoro exclusivo sem pedido formal — são novas formas de dizer "sim" sem precisar de cartório.

Composição do estado civil · GenZ Faz 30 (n=6.940)
84% solteiros
10%
5%
Solteiro(a) · 84%
União estável · 10%
Casado(a) · 5%
Outros · 1%
"Compromisso sem papel" por faixa etária (união estável + mora junto sendo solteiro)
17–21 anos — ainda em casa dos pais, relacionamento nascendo 8%
22–25 anos — autonomia financeira parcial, primeiro "nós" 18%
26–31 anos — compromisso consolidado, cartório opcional 26%
32%
Dado de impacto · GenZ Faz 30

Dos respondentes com 26 a 31 anos, 32% moram com o parceiro ou parceira — sendo que a maioria deles é legalmente solteira. O "morar junto" ultrapassou o "ser casado" como forma dominante de vida a dois nessa faixa. Enquanto apenas 8% dos 26–31 anos é casado no papel, 32% já construiu um lar compartilhado.

O que define "ficou sério"?
Pedido formal de namoro35%
Exclusividade combinada26%
Conhecer a família15%
Nunca existe marco claro10%
Conversas profundas5%
Script do Amor · respondentes ativos
Acordos afetivos
Acham importante conversar sobre acordos afetivos (notas 4 ou 5)
90%
Script do Amor · n=741 respondentes ativos
Liberdade para experimentar sem rótulo
24%
nota máxima na escala de liberdade (1–5)
Perspectiva sociológica
O relacionamento
como projeto negociado

O sociólogo Anthony Giddens descreveu o "relacionamento puro" como aquele que existe apenas enquanto satisfaz ambas as partes — sem amarras externas de família, religião ou convenção social. A GenZ está vivendo isso na prática: 90% valoriza acordos afetivos explícitos, 72% já terminou algo por incompatibilidade emocional, e "esforço e comunicação" aparece como o principal motor de vínculos duradouros (71%). O compromisso não desapareceu — ele precisa agora ser justificado por dentro, não imposto por fora.

05 — Aplicativos de relacionamento

Usam.
Odeiam.
Voltam.

79% da GenZ já teve um vínculo afetivo que começou online. Mas quando perguntados o que acham dos apps, a resposta é dura: mais de 3 em cada 4 os descrevem como superficiais ou cansativos. A dependência é real. O encantamento, não.

Já iniciou vínculo online
80%
Script do Amor · respondentes ativos
Vê apps como superficiais
54%
avaliação mais comum entre todas as faixas
Vê apps como cansativos
23%
soma: 77% com avaliação negativa
Vê como ferramentas úteis
19%
minoria — mas são eles que continuam usando
Visão dos apps por faixa etária
17–21 anos
Superficiais61%
Cansativos24%
Úteis12%
22–25 anos
Superficiais55%
Cansativos19%
Úteis22%
26–31 anos
Superficiais50%
Cansativos27%
Úteis20%
Script do Amor · respondentes ativos por faixa (17–21: n=168 · 22–25: n=220 · 26–31: n=255)
Perspectiva antropológica
O mercado de
conexões efêmeras

A socióloga Eva Illouz mostrou como o capitalismo transformou o amor em consumo: a lógica de perfis, match e descarte dos apps replica a estrutura de um mercado — com catálogos, seleção por atributos e obsolescência programada. A GenZ percebe essa armadilha, daí a contradição nos dados: 80% passou por um vínculo que começou online, mas 77% classifica os apps de forma negativa. A ferramenta funciona. O custo emocional é alto demais.

06 — Emoção nos vínculos

Exaustos.
Mas não desistiram

72% já terminou um relacionamento por incompatibilidade emocional. 83% já se sentiu emocionalmente exausto em um vínculo. E ainda assim, 90% valoriza acordos afetivos explícitos e 71% acredita que esforço e comunicação são o que faz um vínculo durar. A GenZ não é avessa ao amor — ela é exigente com ele.

Já terminou por incompat. emocional
72%
Emoção como critério decisivo de saída
Exaustão emocional (freq. ou às vezes)
83%
25% frequentemente · 57% às vezes
Medo de se apegar mais que o outro
44%
queda com a idade: 51% aos 17–21 · 41% após 22
Relacionamento exige habilidade aprendida
47%
nota máxima (5/5) · Script do Amor
O que faz um vínculo durar?
Esforço e comunicação71%
Química natural13%
Compatibilidade prática9%
Tempo juntos8%
Script do Amor · respondentes ativos
Ingredientes do relacionamento saudável
Diálogo constante 622
Respeito aos limites 442
Apoio emocional 240
Planos de futuro 247
Afinidade de valores 167
Script do Amor · respondentes múltiplos (n total de marcações)
Perspectiva psicossocial
Amor como
habilidade aprendida

Zygmunt Bauman descreveu o "amor líquido" como a incapacidade moderna de manter vínculos duradouros numa sociedade que valoriza a mobilidade acima do compromisso. Mas os dados da GenZ apontam uma resistência a essa liquidez: 47% acredita que relacionamento é habilidade que se aprende, e busca ativamente essa aprendizagem — em terapia, podcasts, livros e conversas. A liquidez, para essa geração, não é desejada: ela é uma angústia a ser superada.

07 — Contexto · Brasil e mundo

O Brasil
também está adiando

Os dados da GenZ não estão isolados. O IBGE documenta uma transformação estrutural no comportamento nupcial brasileiro que converge exatamente com o que as pesquisas mostram.

Taxa de nupcialidade Brasil · 2024
5,6
casamentos por mil hab. com 15+ anos. Em 1980 era 12,2 — queda de mais da metade em 44 anos
Idade média para casar · homens solteiros · 2024
31,5
anos. Em 1970 era 27. Em 2024, mulheres: 29,3 anos
Casamentos civis · 2024
949 mil
abaixo do patamar pré-pandemia de +1 milhão/ano (2013–2019)
Divórcios para cada 100 casamentos · 2024
45,7
quase metade dos casamentos civis terminam em divórcio
IBGE · Estatísticas do Registro Civil 2024

"A queda nos registros dos casamentos não necessariamente quer dizer que as pessoas estão deixando de se unir. A situação conjugal da pessoa pode ser diferente da situação civil" — Klívia Brayner, gerente da Pesquisa de Registro Civil do IBGE. Os dados do IBGE não incluem uniões estáveis — o que significa que o número real de pessoas vivendo em compromisso é muito maior do que os registros sugerem.

Taxa de nupcialidade Brasil: colapso histórico
198012,2
20008,4
20157,2
20196,4
2024 GenZ adulta5,6
Casamentos por mil habitantes com 15+ anos · IBGE, Estatísticas do Registro Civil
📉
IBGE · Registro Civil 2024

A proporção de mães com até 24 anos caiu de 51,7% para 34,6% entre 2004 e 2024 — reflexo direto do adiamento da maternidade pela geração que hoje tem entre 17 e 31 anos. O país também registra o sexto ano consecutivo de queda na natalidade em 2024.

08 — Lentes teóricas

Três
olhares
sobre
esse amor

Os dados ganham profundidade quando vistos através das ferramentas da sociologia e da antropologia. Não são comportamentos aleatórios — são padrões que pensadores vêm mapeando há décadas.

Amor Líquido
Zygmunt Bauman

Em sociedades de alta mobilidade, os vínculos afetivos se tornam frágeis e descartáveis. A genZ vive esse diagnóstico — mas resiste a ele: 47% acredita que amor se aprende, e a maioria quer durabilidade, não efemeridade. A liquidez é angústia, não escolha.

Amor no Capitalismo
Eva Illouz

O mercado colonizou o afeto: apps transformam pessoas em perfis, matches em produtos. A GenZ opera nesse sistema e sente o custo: 77% classifica apps negativamente, mas 80% já iniciou um vínculo online. Presos na lógica que criticam.

Relacionamento Puro
Anthony Giddens

O vínculo moderno existe apenas enquanto satisfaz ambas as partes — sem pressão externa. 90% da GenZ quer acordos afetivos explícitos, 72% terminou por incompatibilidade emocional. O contrato afetivo substituiu o contrato civil.

"68% da GenZ acredita que vive o amor de forma muito diferente das gerações anteriores. Mas o que mudou não foi o desejo de se conectar — foi a gramática do compromisso."

Síntese · Script do Amor + GenZ Faz 30 · Trope-se/InstitutoZ
A provocação dos dados

Eles não
abandonaram
o amor.
Abandonaram
o roteiro.

84% solteiros. 91% sem filhos. 5% casados. Esses números não descrevem uma geração que desistiu do compromisso — descrevem uma geração que recusou o cronograma social que dizia quando e como amar. 26% dos que têm entre 26 e 31 anos já vivem com seu parceiro sem papel. O compromisso existe. O cartório que virou opcional.

26%
compromisso informal · 26–31 anos
90%
valorizam acordos afetivos explícitos
68%
sentem que amam diferente das gerações anteriores
Apollo.io